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Crise dos combustíveis leva Macron ao Golfo e expõe "batalha" política na Europa

Crise dos combustíveis leva Macron ao Golfo e expõe "batalha" política na Europa

A escalada dos preços da energia está a pressionar governos, a alimentar protestos e a dar argumentos à extrema-direita. Enquanto Macron procura garantir fornecimentos adicionais de gasóleo no Golfo, Marco Rubio visita a Índia numa altura em que Washington tenta conciliar os interesses energéticos com as negociações comerciais.

Filipe Alexandre Gonçalves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Apesar dos confrontos em França, Macron visita o Médio Oriente de onde recebeu "a garantia de 200 mil toneladas de gasóleo por mês para a França, provenientes do Bahrein e dos Emirados Árabes". Benoit Tessier - Reuters

Com os preços dos combustíveis sob pressão, os governos procuram garantir o abastecimento e multiplicam-se as iniciativas diplomáticas.

Nesta segunda-feira, o presidente francês Emmanuel Macron deslocou-se ao Kuwait, aos Emirados Árabes Unidos, ao Bahrein e ao Qatar numa viagem centrada, em particular, na segurança do abastecimento energético.

Segundo a presidência francesa, os Emirados Árabes Unidos comprometeram-se a fornecer mais 100 mil toneladas de gasóleo por mês, às quais se juntam outras 100 mil toneladas mensais asseguradas pelo Bahrein. 

Estes volumes acrescem às 95 mil toneladas mensais já garantidas através da Arábia Saudita para outubro e novembro, elevando para 295 mil toneladas os fornecimentos mensais abrangidos pelos compromissos anunciados por Paris.

O objetivo, de acordo com o Palácio do Eliseu, é garantir que "os franceses não sintam falta de nada", assumiu Macron. 

A presidência francesa reconhece, contudo, que o reforço das quantidades disponíveis não permite antecipar com precisão a evolução dos preços.
"Estamos a garantir as quantidades com um objetivo: assegurar que o povo francês tenha tudo o que precisa e que os preços baixem. Nesta situação de nem paz nem guerra, devemos garantir tudo o que pudermos. Quando aumentarmos o volume, isso terá um impacto no preço, mas não sabemos como quantificá-lo", explicou o Eliseu.

A distribuição dos volumes adicionais ficará a cargo da TotalEnergies. O presidente executivo da empresa, Patrick Pouyanné, considerou que o reforço do abastecimento deverá tranquilizar os consumidores: "Não ficaremos sem gasóleo neste inverno", assegurou.

A iniciativa diplomática surge num contexto de perturbação dos mercados energéticos associado ao conflito entre os Estados Unidos e o Irão e às dificuldades de circulação no Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o comércio mundial de petróleo.
Diplomacia energética cruza-se com interesses comerciais
A procura de alternativas de abastecimento não se limita à Europa. 

A visita do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, à Índia evidencia como a energia está também ligada às negociações comerciais e às relações estratégicas entre países.

Na deslocação que arranca esta terça-feira e vai até quinta, Rubio vai estar em Mumbai e Jamnagar, e deverá reunir-se com responsáveis governamentais e empresariais, incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros indiano, S. Jaishankar, e Mukesh Ambani, presidente da Reliance Industries, empresa que gere o complexo de refinação de Jamnagar, um dos maiores do mundo.

A visita acontece numa altura em que Washington e Nova Deli procuram concluir um acordo comercial. 

A administração norte-americana suspendeu recentemente medidas tarifárias que poderiam penalizar a Índia pelas suas compras de petróleo russo, uma decisão que abriu caminho a novas negociações.

Na Europa, o aumento dos preços dos combustíveis está a contribuir para um mal-estar económico mais amplo, que se manifesta em protestos e reforça a pressão sobre os governos. 

Tal como se tem assistido na última semana, a questão tornou-se particularmente sensível em França, onde o custo de vida se cruza com a preparação das próximas eleições presidenciais.

A candidata da extrema-direita Marine Le Pen, do partido Reunião Nacional, e o dirigente da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon colocaram os preços dos combustíveis entre os temas centrais dos respetivos discursos políticos.

A subida dos preços está a influenciar o debate político em vários países europeus. 

Na Alemanha, a Alternativa para a Alemanha (AfD) tem utilizado o custo da energia para criticar o Governo e defender o restabelecimento de relações energéticas com a Rússia. 

Em Itália e na Polónia, as forças de extrema-direita também procuram capitalizar a insatisfação com as despesas energéticas e questionar as opções políticas relativas a Moscovo e à guerra na Ucrânia.


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